
O presidente e o dono do bar
*Por Carlos Geletti
O dono do bar, um tal de Juca, lá nas paragens de Foz do Iguaçu, resolveu colocar uma foto do Presidente Bolsonaro na parede do bar. Claro que arrumou pra cabeça.
Além de se encrencar com todos os PTs e demais partidos de esquerda, ousou mudar os hábitos do tradicional boteco. A começar pelos já tradicionais hasteamento e arreamento da Bandeira Nacional, às 0800h e às 1800h.
Dizem até que pode falhar a cerimônia no Batalhão do Exército, mas no Juca é impossível. Noutro dia, o hasteamento começou e um cliente do bar tinha pedido o café, claro que durante a cerimônia teve de aguardar, quando foi tomar o café estava frio.
Claro que o problema foi contornado pelo Juca que ofereceu novo café. Juca não pode estender o cerimonial. Agora são várias lives, debates virtuais relativos a assuntos políticos, as discussões são mais aprofundadas.
Tudo ia muito bem até uma quarta, dia de futebol. O Juca cismou que queria deixar um pronunciamento do Ministro da Saúde, defendia que era mais útil e proveitoso. Estourou a terceira guerra, pois só existe uma coisa que pretere qualquer outro assunto: o futebol.
Invocou-se a Quinta Emenda americana, o STF foi convocado em regime de urgência.
Diante dos vários protestos, foi chamada a Polícia, primeiro a Civil e depois a Militar. Aconteceu uma tentativa de linchamento, mas chegou a turma do deixa disso, procurando a conciliação.
Juca que normalmente não é nem um pouco pálido, começou a se assustar com a situação. Optou pela concórdia, assumiu o armistício, apresentou a via da paz, depois soube que recebera um telefonema do Papa Francisco.
Em minutos estávamos vendo o jogo do Grêmio, aí começou uma discussão sobre o jogo a ser colocado na televisão. Nisso passa um motoqueiro com o escape da moto aberto. Alguém xingou o motoqueiro, o motoqueiro voltou e veio tirar satisfação, a porrada tampou na esquina, deu polícia e missa em ação de graças.
Tudo passado, aconselhei ao Juca a fechar, hoje não era o dia, a bruxa estava solta, melhor tentar de novo no dia seguinte. Eu, de minha parte, vou pegar uma mesa, fazer de escudo e sair de mansinho.
– Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com fatos, pessoas ou acontecimentos, terá sido mera coincidência.
*Carlos A. M. Galetti é coronel da reserva do Exército, foi comandante do 34o Batalhão de Infantaria Motorizado. Atualmente é empresário no ramo de segurança, sendo sócio proprietário do Grupo Iguasseg.
Vivendo em Foz já há mais de 20 anos, veio do Rio de Janeiro, sua terra natal, no ano de 1999, para assumir o comando do batalhão.





