Outra do Meneguim
Por Carlos Galetti
Acredito que todos se lembram do Meneguin Poca Volla, aquele vizinho que tive e era motorista de carro funerário, isso mesmo, levava defunto para o cemitério. Lembra que disse que parecia muito com os clientes que transportava? (Se não se lembram, cliquem aqui)
Pois é, tem outra história também muito interessante.
Meu pai fazia nosso almoço quando estava em casa, senão sobrava pra mim o bagaço da laranja.
Aprendi desde cedo a cozinhar e realizar outros afazeres dentro de casa, mas neste dia o cozinheiro era meu pai. Resolveu fazer uma “sopa de entulho”, que consistia em um sopão com tudo que tinha direito e mais um pouco.
E lá ia legumes, os mais variados, carnes de várias espécies e, ao final, no “gran finalle”, alguns ovos para fortalecer. Ficava um prato digno de levantar defunto, talvez por isso meu pai resolveu convidar o Meneguin pra almoçar.
Terminada a obra prima, o sopão, arrumamos a mesa e chamamos o vizinho, que veio todo satisfeito com o convite, sentando-se de imediato no lugar designado, aguardando com certa ansiedade o serviço, ou então era fome.
Meu pai o serviu, serviu a mim e se serviu. Iniciamos a comer, enquanto conversávamos sobre futilidades. Nosso amigo conversava e comia, diria até com certa voracidade.
De repente, parou de comer e notamos que empalidecia, começando, vagarosamente, a deslizar pela cadeira. Teria certamente se esborrachado no chão se meu pai não o segurasse rapidamente, firmando-o até o chão, ficando desfalecido sobre o solo.
A comida tinha dado fraqueza, como se dizia naquele tempo.
Acorremos a outros vizinhos, muitas ideias surgiram, mas a mais acertada seria ligar para ambulância. Já estávamos para fazê-lo, quando o Meneguim voltou a si, perguntando onde estava, se assemelhando a recém atropelado, que não anotara a placa da carreta.
Depois rimos bastante, mas creiam levamos um susto inesquecível. Depois dessa, poderíamos convidar o Meneguin, mas a sopa seria mais fraca… sopão nunca mais.
*Carlos A. M. Galetti é coronel da reserva do Exército, foi comandante do 34o Batalhão de Infantaria Motorizado. Atualmente é empresário no ramo de segurança, sendo sócio proprietário do Grupo Iguasseg.
Vivendo em Foz já há mais de 20 anos, veio do Rio de Janeiro, sua terra natal, no ano de 1999, para assumir o comando do batalhão.
