No último dia 11, o Clube de Pesca Maringá soltou cerca de 30 mil alevinos no Rio Paraná. Os peixes juvenis são das espécies piapara, pacu e piracanjuba. A Itaipu também fez a soltura de peixes marcados.
O evento teve a participação de representantes da Itaipu, Marinha, Instituto Água e Terra (IAT), antigo IAP, Polícia Florestal e pescadores. Também participou do evento a SOAMAR Cataratas (Sociedade Amigos da Marinha), segundo informou a Rádio Cultura.
Em vista dessa louvável iniciativa, o Não Viu? foi investigar por que não se fazem mais ações como essa e, para isso, entrevistou o pesquisador e consultor dessa área Domingo Rodriguez Fernandez*, que durante muitas décadas pesquisou esse assunto como empregado da Itaipu Binacional.
Vamos à entrevista
Por que não se fazem mais ações como essa?
Apesar das boas intenções, há dois problemas na soltura de peixes reofilicos (migradores) no leito de um rio encaixado (sem várzeas ou planície de inundação) como é o rio Paraná, entre Posadas e Foz do Iguaçu:
O primeiro, é que o leito encaixado de um rio não é o Ecossistema propício como berçário e áreas de crescimento inicial, que normalmente são representados por várzeas e lagoas marginais (como o trecho acima de Guaíra ou abaixo de Yacyretá). Ou seja: a pouquíssimas chances desses exemplares de tamanho pequeno sobreviverem.
O segundo, é o alto grau de consanguinidade (parentesco) dos alevinos, em geral provenientes da desova de um número reduzido de casais, o que seria desejável na piscicultura, mas é indesejável na natureza.
Então, qual seria a melhor solução?
Preservar o rio como um todo, especialmente suas áreas de várzeas e lagoas marginais, lar natural dos alevinos, cujas larvas são levadas para lá nos períodos de cheias, e solturas eventuais de exemplares em tamanhos próximos aos de adultos, mas que venham de várias desovas, para não serem parentes muito próximos (irmãos).
Qual a porcentagem de sobrevivência desses alevinos soltos nesse trecho do rio?
Praticamente zero, especialmente se forem muito pequenos. Alevinos de peixes migradores não ficam na calha do rio, ficam em berçários nas lagoas e várzeas do rio principal e tributários. Com certeza, nenhum pescador viu cardumes de alevinos de dourados ou piaparas, por que eles não ocorrem na calha dos rios grandes.
Qual é o tamanho mínimo de um peixe para ser solto e ter alguma chance de sobrevivência?
Eventualmente semiadultos já com 20-25 cm têm alguma chance, mas abaixo de 10 cm é nula, sem falar que são peixes alimentados com ração balanceada, em horários fixos, que vão ter de se adaptar à disponibilidade de alimentação natural nos rios e a fugir de predadores.
E os peixes marcados?
Soltura de peixes maiores e marcados pode contribuir muito para o conhecimento dos hábitos migratórios das espécies.
*Domingo Rodriguez Fernandez atuou como consultor hidrelétrico para sistemas de migração de peixes em barragens localizadas na região amazônica, incluindo Santo Antônio, Jirau e Teles Pires. Atualmente é consultor das hidrelétricas de Jirau ( rio Madeira) e Yacyretá, justamente no trecho onde os alevinos foram soltos.








