O Paraguai tem um problema para resolver antes de se tornar um grande endereço de data centers e inteligência artificial: a procura por energia está muito acima do que a ANDE tem para oferecer.
Empresas demonstraram interesse em contratar 6 mil MW, mas a estatal dispõe de apenas 750 MW para comercialização. E tem mais: 286 MW já foram comprometidos com a Kuntur S.A. Sobram, portanto, 464 MW para os demais interessados.
A demanda é quase 13 vezes maior que essa capacidade restante.
O Não Viu? apurou que o consumo de energia no Paraguai vem crescendo rapidamente.
Mantido esse ritmo, as projeções indicam que, entre 2030 e 2031, o país poderá estar consumindo toda a parcela de energia que lhe cabe das usinas de Itaipu, construída em parceria com o Brasil, e Yacyretá, binacional com a Argentina. A projeção também considera a geração da usina de Acaray.
E a conta pode subir!
A Resolução nº 52.552, da ANDE, prevê reajustes anuais mínimos de 2,5% a partir de 2028, além de revisões a cada dois anos, conforme os custos de geração.
Para Fernando Arriola, da Câmara de Fintech do Paraguai, energia barata não resolve tudo.
Os investidores também precisam de internet de qualidade, segurança regulatória e previsibilidade para recuperar os milhões aplicados nesses empreendimentos.
Ou seja, o Paraguai tem uma grande vantagem hidrelétrica, mas precisará mostrar que consegue oferecer energia suficiente e condições estáveis para transformar o interesse dos investidores em negócios concretos.
Fontes: Infonegocios, ANDE e ABC Color.
