Saudades do Samba do Crioulo Doido
*Por Carlos Galleti
Me lembro do Sérgio Porto, jornalista muito famoso dos anos 60/70.
Cognominado Stanislaw Ponte Preta, sob este cognome lançava suas críticas; bastante mordazes; achincalhava políticos e trazia bom humor ao jornalismo.
Faço questão de dizer isso, pois hoje existe menos compromisso com a verdade, alguns jornalistas falam o que querem, quando exigidos judicialmente, fazem um desmentido, como se sua moral nada fosse de especial, ou nem a tivesse.
Mas os jornalistas daquele tempo tinham mais compromisso com a verdade e a ética.
Hoje, muitos são caras lustradas por peroba, que nem se envergonham de olhar no espelho. Atacam a dignidade alheia, sem o mínimo respeito.
Os cariocas sempre tomavam umas, depois do expediente, um dia falo dos vários bares no final da tarde no Rio.
Um desses ficava próximo à redação do Jornal Última Hora. Lá os repórteres se reuniam ao final do trabalho, para beber algumas, comer uns tira-gostos e exercer sua criatividade nas inúmeras manifestações.
Foi lá, no Bar da Sardinha, também conhecido como bunda de fora, que nasceu o samba do crioulo doido.
Deixe que explique o porquê bunda de fora. O bar era muito pequeno, quem ficava no balcão ficava com a bunda de fora.
Era um dia como outro qualquer, talvez até segunda-feira, o grau etílico já pouco elevado. A roda levou o samba na caixa de fósforo, entre tropeços, acertos, vai e volta, saiu, mais ou menos assim:
– Foi em Diamantina, onde nasceu JK. Que a Princesa Leopoldina, ‘arresolveu’ se casar.
Mas Chica da Silva, tinha outros pretendentes, e obrigou a Princesa a se casar com Titadentes. Lá Lá Laiá Laiá, o bode que deu vou te contar. Joaquim José, que também é da Silva Xavier; queria ser dono do mundo e elegeu Pedro Segundo.
Das estradas de Minas seguiu pra São Paulo e falou prô Anchieta, da mutreta dos dois foi decidida a questão e foi Proclamada a Escravidão.
E assim se conta esta estória, que é dos dois a maior glória. Dona Leopoldina virou trem (o trem Rio – Minas era chamado Leopoldina), e Dom Pedro é uma estação também (Estação Ferroviária Central do Brasil – Dom Pedro). E fechava assim: – Ooooo! O trem tá atrasado ou já passou].
Saudades do Samba do Crioulo Doido, saudades dos tempos doidos daquele tempo. Havia mais respeito e consideração, mais pureza e boas intenções.
Depois tem mais!
*Carlos A. M. Galetti é coronel da reserva do Exército, foi comandante do 34o Batalhão de Infantaria Motorizado. Atualmente é empresário no ramo de segurança, sendo sócio proprietário do Grupo Iguasseg.
Vivendo em Foz já há mais de 20 anos, veio do Rio de Janeiro, sua terra natal, no ano de 1999, para assumir o comando do batalhão.
