
Ontem (09), a jornalista Cris Loose postou no blog dela um texto da médica infectologista de Foz do Iguaçu, Flávia Trench, no qual a especialista diz se sentir como “Cassandra”, uma personagem da mitologia grega que, por não aceitar “sair para tomar um chope” com Apolo, foi castigada com o dom de profetizar, mas com uma ressalva: ninguém acreditaria nas profecias dela, exceto quando fosse tarde demais.
Segundo Flavia, desde o início da pandemia, os infectologistas são considerados como Cassandras. “Nunca somos ouvidos e, muitas vezes, somos tratados como insanos”, enfatiza a médica, no texto, que pode ser lido aqui.
Porém, também ontem (10), em sessão virtual da Assembleia Legislativa do Paraná, o médico cirurgião Dorival Ricci Júnior apresentou a proposta de protocolo de tratamento precoce e preventivo à Covid-19, elaborada por um grupo de médicos paranaenses, que prevê o uso preventivo contra o Covid-19 da hidroxicloroquina ou ivermectina regularmente.
Por sua vez, o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clovis Arns da Cunha, que também estava presente no debate virtual com os deputados, lembrou que tais tratamentos com esses remédios não têm nenhuma comprovação científica, assim como Flávia disse no texto postado pela jornalista Cris Loose.
Em suma, afinal de contas, quem são as verdadeiras “Cassandras”: os médicos de várias partes do Brasil e do mundo que, com base no que constaram na prática, até agora, receitam esses medicamentos; ou os infectologistas, também daqui e do exterior, que afirmam que tais remédios não previnem a doença?
Para nós, leigos nesse assunto, essa história parece o enredo do filme “A Escolha de Sofia”, cuja protagonista foi presa num campo de concentração com seu casal de filhos.
Segundo a história, um sádico oficial nazista dá a Sofia a opção de salvar apenas uma das crianças da execução, ou ambas morrerão, obrigando-a a uma terrível decisão.
Ou seja: só nos resta contrariar o mito grego, escolhendo quem são as verdadeiras “Cassandras” e segui-las, antes que seja tarde demais.







