Reminiscências

Seus nomes, Mario du Trevor e João Sampaio, o Mosquito.

Mário du Trevor. Foto: GDia/Roger Meireles

Reminiscências

*Por Carlos Roberto de Oliveira

Manhã ensolarada de um sábado de final de agosto, lá pelos idos do ano de 2000, e como que a atestar que todo sábado, independentemente da época, traz uma expectativa de que tudo que é melhor acontece nesse dia, dois personagens, atualmente um tanto quanto esquecidos, mostravam sua arte, pela música, nas calçadas apinhadas de gente da Avenida Brasil, logradouro que era uma espécie de shopping a céu aberto, e onde tudo acontecia.

Um deles, elegantemente vestido, e para muitos esnobe, mantinha-se em pé, já o outro, mais recatado e introvertido, porém um exímio violonista, sentado em uma banqueta, executavam musicas que enlevavam a alma, embora a maioria pouco se importasse, já que qualidade parece ser restrito a uma minoria.

Seus nomes, Mario du Trevor e João Sampaio, o Mosquito.

Meio que timidamente, um transeunte ao aproximar-se dos dois, dirigiu-lhes elogios, agradecendo-os pela qualidade do som que ouvia e arriscou fazer um pedido: “Nada Além”.

Surpreendentemente, o professor Mosquito não se lembrava dos acordes, foi quando Mario du Trevor, meio que constrangido, e porque não, irritado, pegou do violão e deu as primeiras notas, não sem antes comentar que a música se tratava de uma composição do grande Mario Lago.

Mais que de pressa, Mosquito, retratando-se pelo esquecimento, executou, com a voz de Mario du Trevor, a mais bela “Nada Além” que o cidadão havia ouvido.

Terminada a canção, foram todos os três diretos para o boteco da esquina, onde o que menos faltou foi muita vodca e, igualmente, muita emoção e música.

*Carlos Roberto de Oliveira é empresário do ramo de logística em Foz do Iguaçu

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