Uma pesquisa da UNILA expôs a realidade de trabalhadoras domésticas paraguaias que atuam em Foz do Iguaçu. Entre 2018 e 2024, foram identificados 42 processos trabalhistas envolvendo trabalhadores domésticos estrangeiros: 41 eram de mulheres e um de um homem que trabalhava como caseiro.
Os dados mostram apenas parte do problema. A pesquisa aponta possível sub-registro e dificuldades para identificar estrangeiros nos sistemas oficiais.
Jornadas de até 18 horas
Relatos analisados pela pesquisadora Juliana Torres Venson apontam situações de jornadas extremamente longas, com casos de mulheres que começavam às 6h e trabalhavam até meia-noite.
Muitas enfrentam ainda falta de informação, medo de denunciar, ameaças e dificuldade de acesso à Justiça. Como o trabalho ocorre dentro das residências, a fiscalização também é limitada.
Dos 42 processos, 81% tiveram resultado favorável aos trabalhadores, por acordo ou decisão judicial.
A pesquisa alerta que a falta de registros sobre essas mulheres dificulta conhecer o tamanho real do problema e criar políticas públicas de proteção. O estudo defende mudanças nas relações de trabalho, com registro, salário adequado, jornada regular e respeito aos direitos trabalhistas.









