Outros tempos, novos tempos
*Carlos Roberto de Oliveira
O sentimento de desencanto aumentava à medida em que, ilhado em seu próprio espaço, se via obrigado a isolar-se e, paradoxalmente, considerar o distanciamento social como forma de aproximação, algo parecido como uma espécie de punição existencial.
Vinha-lhe à mente, então, uma época em que, a esmo e sem qualquer conotação com ações engessadoras, valorizava-se a oportunidade do encontro fortuito que tinha, na sensibilidade, sua determinante.
E da magia daqueles momentos, ao som de uma música indutora cuja letra, direta e romântica, dizia “Alguém como tu, Assim como tu, eu preciso encontrar…”, invariavelmente ocorria a oportunidade do olhar maroto e a consequência de um uísque antes e um cigarro depois.
Do vínculo emocional circunstancial e o posterior consumo de energia, cuja reposição, na forma de fantasia, fortalecia a expectativa de um novo encontro, não havia a previsão de dia e hora.
Lamentavelmente, os tentáculos de uma evolução tecnológica, tendo a comunicação virtual como instrumento para aproximar pessoas, traz em sua esteira uma sensação de frieza no relacionamento humano, mascarando frustrações, não contribuindo para que a manifestação do amor à flor da pele, da adrenalina e do prazer sem sentimento de culpa se manifeste efetivamente.
A máscara já não é mais aquela do “Tanto riso, oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão…”, e, sim, a da recomendada pelo infectologista com instruções de que beijar é perigoso e o álcool, em gel, só para as mãos…
Que não se zangue o poeta, navegar é preciso, mas viver também o é.
*Carlos Roberto de Oliveira é empresário do ramo de logística em Foz do Iguaçu.
