O mundo maravilhoso dos avós
*Por Carlos Galetti
Realmente ser avô é algo especial, agora sei o que é pegar carona numa cauda de cometa, em pouco tempo viajar por todo o espaço sideral, conhecendo todas suas surpresas e aventuras.
Não basta ser avô, tem de ser bem doido, para viver os personagens que seus netos exigem. Você pode ser herói ou vilão, mas tome cuidado se for vilão, pode cair na esquerda dos pequenos.
Noutro dia, minha neta cismou que eu era o super-homem, até aí tudo bem, mas enfrentar uma carga de “kriptonita”, isso que é o problema, além do personagem você será exigido na parte de dramaturgia, e você que não seja um bom ator, por que razoável nem pensar, mais um motivo para desagradar os pequenos.
Conviver com os netos é adentrar no seu mundo, de corpo e alma, participando dos seus anseios, aceitando os riscos, mesmo que seja enfrentar situações críticas de lutas inacreditáveis com inimigos públicos, os mais diversos, correndo o risco de apanhar que nem boi ladrão.
Exemplo, chegar na casa do neto, responder sem titubear, sim para o convite de capturar um grande bandido, homiziado na favela do alemão. Claro que há uma tentativa de furtar-se à empreitada, argumentando que estão longe. Argumento quebrado pelo fato de que a nave espacial virá pegá-los, levando-os ao destino.
Sendo assim, ficou mais fácil, acredito que em poucas horas cumprimos a missão. Num passe de mágica a cama do neto virou a esperada nave, embarcamos e seguimos rumo ao desconhecido. Viagem um pouco acidentada, finalmente chegamos ao destino.
Como tudo é com emoção, somos recebidos com tiros do inimigo, ao qual respondemos com tiros de boca, pow! pow!, valendo rolamentos pelo chão para evitar o ataque inimigo.
Imaginem rolar no chão nessa idade? O pior é levantar e rápido. Socorro!
Felizmente capturamos o meliante, retornamos com nossa nave incólume, vitoriosos, enquanto que eu, procuro regularizar minha respiração, o que me leva a pensar que devíamos ser avós aos 20 anos.
Minha filha me socorre, convidando para lanchar, ao que meu neto insiste que quer continuar a brincar, alegando que temos que levar o bandido para a prisão. Os argumentos da mãe vencem e vamos lanchar, confesso que até estou com um pouco de fome, afinal foi muita energia desgastada.
– Pai, herói das galáxias, você merece uma cervejinha, diz minha filha com um sorriso cínico.
Meu neto vai tomar seu Nescau, mas sinto que gostaria de estar levando o bandido para a prisão.
Ufa! Que dureza!
*Carlos A. M. Galetti é coronel da reserva do Exército, foi comandante do 34o Batalhão de Infantaria Motorizado. Atualmente é empresário no ramo de segurança, sendo sócio proprietário do Grupo Iguasseg.
Vivendo em Foz já há mais de 20 anos, veio do Rio de Janeiro, sua terra natal, no ano de 1999, para assumir o comando do batalhão.









