Lochi, o louco

Depois de castrado, tendeu à obesidade, por isso passei a chamá-lo de bolo de pelo

Foto ilustrativa: Pixabay

Lochi, o louco

Por Carlos Galetti

Não sei se vocês lembram, mas dos gatos lá de casa, um deles, é o Lochi.

Depois de castrado, tendeu à obesidade, por isso passei a chamá-lo de bolo de pelo. Não sei se criou uma animosidade por causa do apelido, mas não me olha com bons olhos.

Lá está o bichano, postado sob a cadeira do quintal, me olhando inquisidoramente, como se eu fosse o culpado de suas desditas, seus problemas mais corriqueiros.

Senti que queria conversar, chegou bem de mansinho, ainda bem, pois desenvolveu e aquele gato invocado não deve ser uma boa.

Chegou e veio direto ao assunto, o porquê de não ter incentivado sua candidatura a Vereador, como incentivara o Giba, o cachorro. Disse que não teria uma manifestação clara da sua parte.

Essa argumentação o deixou mais convencido do meu ponto de vista, pois realmente havia comentado, mas não defendeu mais a ideia.

Para abreviar o assunto, prometi que na próxima daria uma força.

Depois, pensei, e se todos quiserem? Vai ser um tal de miar e latir na câmara, vai ser bonito de se ver e ouvir.

Aí veio a espetada final, Lochi falava em apoio financeiro para campanha, alegando que eu teria ajudado o Giba, ao que desmenti peremptoriamente. Não coloquei dinheiro meu nunca em campanha, ainda mais em candidato que não boto fé.

Magoou, ficou de beiço grande. Para desfazer o mal-entendido decidi botar panos quentes. Expliquei que tinha o fundo partidário, que não precisaria de financiamento particular de campanha, com o fundo partidário poderia fazer uma boa campanha.

Parece que o convenci, pelo menos o papo com o bolo de pelo parou por ali. Os outros gatos e o Giba estão vindo para o meu lado, será o Benedito? Agora vou ter de ser conselheiro de campanha política de gatos e cachorros.

Oh! Bolo de pelo, fica tranquilo que tudo vai dar certo.

Notei um certo arrepiamento e um olhar meio vingativo. O Giba começou a rir, os demais gatos também. Parece que terminou tudo bem, mas felinos sempre são traiçoeiros.

Au Au e Miau!

*Carlos A. M. Galetti é coronel da reserva do Exército, foi comandante do 34o Batalhão de Infantaria Motorizado. Atualmente é empresário no ramo de segurança, sendo sócio proprietário do Grupo Iguasseg. 

Vivendo em Foz já há mais de 20 anos, veio do Rio de Janeiro, sua terra natal, no ano de 1999, para assumir o comando do batalhão.

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