Empresas do Canadá e dos Estados Unidos já estão no Paraguai realizando estudos de prospecção de lítio e urânio, enquanto o governo paraguaio prepara mudanças na legislação para atrair grandes investimentos internacionais no setor mineral.
O governo do Paraguai está estruturando uma nova Política Nacional de Mineração e uma atualização do Código de Mineração (Lei 3180/2007). O objetivo é tornar o país mais competitivo na disputa global por minerais estratégicos, como lítio, urânio, terras raras, cobre e ferro.
Segundo o vice-ministro de Minas e Energia, Mauricio Bejarano, já existem indícios da presença desses recursos em território paraguaio. No entanto, transformar indícios em reservas certificadas exige investimentos elevados e um prazo de 10 a 15 anos em estudos técnicos e ambientais.
Minerais críticos e interesse internacional
O Paraguai aderiu recentemente a uma iniciativa dos Estados Unidos voltada à criação de cadeias de suprimento para minerais críticos. A estratégia busca firmar acordos bilaterais que permitam a extração e o fornecimento de insumos essenciais para setores de alta tecnologia, como:
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Baterias para veículos elétricos
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Robótica
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Inteligência Artificial
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Dispositivos autônomos
A demanda global por lítio e urânio vem crescendo, impulsionada pela transição energética e pelo avanço tecnológico.
Onde estão as prospecções
Atualmente, empresas canadenses e norte-americanas realizam estudos:
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De lítio na região do Chaco paraguaio
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De urânio na área de Yuty, no departamento de Caazapá
Além disso, uma delegação do Uzbequistão manifestou interesse em avaliar oportunidades no setor de minerais críticos, após a visita oficial do presidente Santiago Peña ao país asiático.
Mineração faz parte da meta “Paraguai 2X”
A expansão da mineração integra a estratégia do governo para dobrar o Produto Interno Bruto (PIB) em aproximadamente dez anos — plano conhecido como “Paraguai 2X”.
De acordo com Bejarano, o momento é visto como uma oportunidade estratégica para o país avançar em estudos prospectivos e, com ajustes regulatórios, atrair investimentos de grande porte.
Ele também defendeu a necessidade de “desmistificar” a ideia de que mineração é sinônimo de degradação ambiental, destacando a possibilidade de exploração com responsabilidade e tecnologia.
Gás natural e integração regional
Outro ponto estratégico é o potencial de exploração de gás natural no Chaco paraguaio. A estimativa é que sejam necessários cerca de US$ 200 milhões em investimentos para viabilizar a operação.
Para que o projeto avance, o governo avalia a construção de um gasoduto ao longo do Corredor Bioceânico, conectando o norte da Argentina ao Brasil. O mercado brasileiro seria o principal destino do gás, tornando o projeto economicamente viável.



