E daí, por que não?
*Por Carlos Roberto Oliveira
Passada uma fase em que brigava consigo mesmo e recuperado o equilíbrio, Seu Zico voltou-se para a vida, pois chegara à conclusão que o melhor que faria seria o de com ela brincar.
E a primeira decisão tomada a partir daquele momento foi a de dar satisfações somente a si mesmo, logicamente que evitando um comportamento exacerbadamente egoísta, só o necessário para manter a coerência.
Aquela sensação de liberdade, combinando com o clima quente de uma Foz do Iguaçu sempre jovem, o induzia a se fazer acompanhar, sempre no período matutino, de segunda-feira a sábado, de umas loiras geladas cuja vantagem do convívio era a de que, caladas, sugeriam a alegria de viver.
O Bar do Zé Português propiciava esta dadiva que Seu Zico repetia todos os dias da semana, exceto aos domingos, quando o Portuga não abria o boteco.
Embora não sentisse necessidade de fazê-lo, justificava que assim procedia para ter mais tempo com ele mesmo, isto é, aproveitar mais sua própria companhia, questionar-se, até porque as loiras cooperavam neste aspecto.
Obviamente que olhares críticos, geralmente com conotações depreciativas e negativas, o condenavam como que querendo dizer, logo de manhã bebendo?
Fortalecido em sua individualidade, que a definia como que nascida a partir da ignorância do outro, se divertia com a situação.
E a alguns, cujos questionamentos eram mais diretos, sempre em tom de pilheria, respondia: o que de errado estou fazendo? Estão, por acaso, preocupados com minha saúde?
Ah, deveria estar trabalhando, e não dando mau exemplo, diziam outros…
E nestas horas, com calma, não se incomodando com a contrariedade de alguns, geralmente falsos moralistas, respondia que o tempo dedicado ao trabalho houvera sido o suficiente, e que não tinha a menor intenção em afrontar alguém, só o direito de ficar sozinho… com suas loiras geladas para aquecer a alma.
*Carlos Roberto de Oliveira é empresário do setor de logística em Foz do Iguaçu









