Doce Solidão

“Aquele que conhece a arte de viver consigo próprio ignora o aborrecimento”

Foto ilustrativa: Pixabay

Doce Solidão

Por Carlos Roberto de Oliveira*

Muito provavelmente, e em épocas distintas, a expressão “DOCE SOLIDÃO” já tenha sido dita por muitos, porém não da forma como aquela bela e querida senhora, Dona Doralice, próxima de seus 94 anos, o faz, pois única, já que vem acompanhada de um profundo sentimento de agradecimento à prerrogativa de se estar só.

E não há, nesta sua expressão metafórica, qualquer conotação com depressão, abandono, falta de carinho, mágoa, nada, só a vontade de se recolher para conviver com seus demônios e, pela reflexão, encontrar-se com Deus, fortalecendo assim valores adquiridos e cultivados durante toda uma caminhada de vida em que, fiel e silenciosa, teve na solidão, sempre, sua melhor companheira.

Da certeza de sua lucidez, e com a convicção de quem se autorrespeita, tinha consigo que a sensação de se estar só não necessita ser continua, mesmo porque impossível, e desta forma, deve então ser administrada por espaços de tempo, algo assim como quem vai a uma estância de águas termais para se energizar.

E desta visão de vida, quanto a se estar só, bem que cabe o pensamento de Erasmo de Rotterdam quando diz: “Aquele que conhece a arte de viver consigo próprio ignora o aborrecimento”.

Entrementes, e como que a hidratar a dádiva da vida, punha-se a velha senhora a irrigar suas plantas… no doce silêncio da solidão.

*Carlos Roberto de Oliveira é empresário do ramo de logística em Foz do Iguaçu

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