Causo publicado pelo Jornal de Itaipu, edição de setembro de 1999, relatado pelo empregado Evanildo Monteiro.
Desmentir como?
No início da fase de montagem, lá estava o Zeca, em horário de almoço, enfurnado nas “cotas da barragem”. Em suas andanças, achou um pé de sapato, desses que são usados em obediência a normas de segurança.
Zeca teve então uma ideia: cortou o sapato e colou com massa a ponta numa coluna vazada. Feito isso, foi sentar-se sossegado ali por perto.
Logo a seguir chegou um “hermano”. Em bom portunhol, ambos começaram a conversar. A certa altura, o assunto foi descambando para as “fatalidades” ocorridas durante a fase de concretagem. Aproveitando a deixa, Zeca despeja:
– É, de fato. Já morreu muita gente enterrada no concreto…
– Será? – duvidou o outro.
– Olha, eu ouvi dizer que, aí nesta coluna, um peão foi enterrado com uma. caçambada de cimento. Não deu nem pra tirar o corpo.
O outro foi se aproximando do local e, para seu espanto, lá estava o bico do sapato sobressaindo-se do concreta.
Nem é preciso falar que o hermano ficou apavorado e saiu dali em desabalada carreira, enquanto o Zeca se partir de rir.
Mas no dia seguinte, para surpresa do Zeca, o hermano tinha voltado, junto com meia dúzia de colegas, para rezar pela alma do pobre coitado.
