Para confundir ou esclarecer: uso precoce de cloroquina e ivermectina opõe médicos e pesquisadores

Foto: Pixabay

Médicos e pesquisadores divergiram, ontem (14), sobre o chamado tratamento precoce contra a Covid-19, que envolve medicamentos cuja eficácia para prevenir ou tratar a doença não está cientificamente comprovada.

É o caso da cloroquina, da hidroxicloroquina e, mais recentemente, da ivermectina – um antiparasitário até então usado contra pulgas e piolhos.

O debate virtual foi promovido pela comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha o combate ao novo coronavírus.

Veja o que os especialistas disseram disseram e tire a suas conclusões:

-) O secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Helio Angotti Neto, criticou a análise isolada de artigos publicados em revistas científicas e a politização do debate. “O ministério revisa diariamente a literatura internacional sobre diagnóstico e tratamento de coronavírus. Olhamos todo o contexto”, disse Angotti Neto. Ele citou diversos artigos que atestariam evidências favoráveis à cloroquina no tratamento precoce. “No tratamento precoce, tudo o que se tem é favorável”, disse.

-) Cotada para assumir o Ministério após a saída de Nelson Teich, a médica imunologista Nise Yamaguchi reforçou evidências da ação da cloroquina na fase de replicação viral (reprodução do vírus), mas reconheceu que faltam estudos conclusivos sobre a eficácia dos medicamentos. “Faltam os estudos randomizados, mas já temos uma meta-análise em andamento bem robusta”, disse.

-) A doutora em microbiologia e colaboradora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) Natalia Pasternak, disse que a cloroquina foi uma promessa que não se confirmou. “O que temos de evidência favorável são estudos observacionais ou em vitro (laboratório) ou de péssima qualidade e com suspeita de fraude”, disse. Ela reforçou que não existem estudos clínicos definitivos sobre a eficácia dos medicamentos.

-) Médico e pesquisador da fundação Oswaldo Cruz, Julio Croda disse que o governo vem se baseando em diversos estudos da região de Marseille, na França, que teriam falhas técnicas e éticas. “Não existe evidência alguma para o uso de qualquer medicação em termos de tratamento precoce. Defender isso é enganar o povo. Hoje o que salva vidas é fazer isolamento social, ter leitos e equipes bem treinadas”, disse.

Com informações da Agência Câmara de Notícias

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