
Uma série de áudios e arquivos digitais de Laura Casuso, advogada dos traficantes brasileiros Jarvis Chimenes Pavão (preso no Brasil) e Marcelo “Piloto” (preso em Assunção) revela que altos chefes da polícia paraguaia estão envolvidos no esquema mafioso, noticia o jornal Vanguardia.
Laura Casuso, que é argentina, foi assassinada a tiros na noite de segunda-feira (12), em Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã (MS).
Entre as mensagens de voz enviadas nos últimos dias pela própria advogada, ela acusa o diretor geral de investigação criminal de receber dinheiro dos traficantes.
As denúncias
Segundo um dos áudios, Epifanio Barreto, da Inteligência policial, fala diretamente com o traficante Sérgio de Arruda Quintiliano Barreto, o Júnior Minotauro, e seria este agente policial que levaria dinheiro dos traficantes para o comissário Abel Cañete, diretor geral de Investigação Criminal da Polícia Nacional Paraguaia.

Júnior Minotauro é considerado um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e luta para ser o “dono” do tráfico na região de Pedro Juan Caballero. Ele está sendo procurado pelas autoridades paraguaias desde março.
Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto, durante entrevista coletiva na prisão, disse que pagava por proteção ao comissário Abel Cañete, e por isso foi aberta uma investigação interna na Polícia Nacional.
Há várias linhas de investigação sobre o assassinato da advogada: foi morta porque atende, ao mesmo tempo, líderes de facções rivais (o PCC de Minotauro e o CV de Piloto); como “recado” às autoridades; ou foi assassinada por policiais porque foi ela quem organizou a coletiva de Piloto, na qual ele fez acusações à polícia.
Tudo isso só mostra como o tráfico está entranhado no Paraguai, com o comando vindo diretamente de brasileiros que estão no país ou com paraguaios associados a criminosos brasileiros, com cumplicidade policial, em várias áreas.





