Atleta tetraplégico passa por cirurgia inédita em Foz e reacende esperança de voltar a se movimentar

Saiba como funciona o procedimento

Fotos: HUOP

O que parecia distante agora virou realidade. Um ex-atleta que ficou tetraplégico após um grave acidente foi um dos primeiros pacientes a receber, em Foz do Iguaçu, uma aplicação inédita de polilaminina — procedimento que pode representar um novo caminho no tratamento de lesões medulares.

No último fim de semana, um hospital particular de Foz do Iguaçu e o Hospital Universitário do Oeste do Paraná, em Cascavel, realizaram cirurgias pioneiras com a técnica, voltada a pacientes com lesão medular traumática.

Como funciona o procedimento?

A aplicação é feita em dose única, em pontos estratégicos próximos à lesão, com o objetivo de tentar religar conexões nervosas que foram perdidas.

O médico pesquisador Arthur Luiz explica que a polilaminina atua na regeneração do sistema nervoso. A laminina é uma proteína natural do corpo humano e tem papel fundamental no desenvolvimento do sistema nervoso central e periférico ainda na fase embrionária.

Segundo o neurocirurgião Bruno Cortez, até o momento não houve registro de óbitos ou complicações diretamente ligadas à aplicação. Ainda assim, as equipes adotam protocolos rigorosos para evitar intercorrências, principalmente respiratórias e cardíacas.

Quem pode fazer?

Para participar do procedimento, é necessário atender critérios específicos:

O paciente em Foz

Segundo o portal Catve, em Foz do Iguaçu, o paciente escolhido foi William Kerber Carboni, ex-atleta do Suzano Vôlei. Ele sofreu um acidente automobilístico que evoluiu para tetraplegia após lesão medular na altura da vértebra C3.

De acordo com o neurocirurgião João Elias El Sarraf, o histórico esportivo de William pode contribuir positivamente na fase de reabilitação, já que o atleta possui condicionamento físico e disciplina adquiridos ao longo da carreira.

William afirma que acreditava que o acesso a esse tipo de medicação era algo distante — quase impossível. Agora, a esperança se transformou em expectativa real de melhora.

A irmã do atleta, Grasiele Kerber Breno, diz que a família vive um momento de fé e confiança: a expectativa é que o procedimento traga avanços significativos nas condições físicas de William.

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