O que parecia distante agora virou realidade. Um ex-atleta que ficou tetraplégico após um grave acidente foi um dos primeiros pacientes a receber, em Foz do Iguaçu, uma aplicação inédita de polilaminina — procedimento que pode representar um novo caminho no tratamento de lesões medulares.
No último fim de semana, um hospital particular de Foz do Iguaçu e o Hospital Universitário do Oeste do Paraná, em Cascavel, realizaram cirurgias pioneiras com a técnica, voltada a pacientes com lesão medular traumática.
Como funciona o procedimento?
A aplicação é feita em dose única, em pontos estratégicos próximos à lesão, com o objetivo de tentar religar conexões nervosas que foram perdidas.
O médico pesquisador Arthur Luiz explica que a polilaminina atua na regeneração do sistema nervoso. A laminina é uma proteína natural do corpo humano e tem papel fundamental no desenvolvimento do sistema nervoso central e periférico ainda na fase embrionária.
Segundo o neurocirurgião Bruno Cortez, até o momento não houve registro de óbitos ou complicações diretamente ligadas à aplicação. Ainda assim, as equipes adotam protocolos rigorosos para evitar intercorrências, principalmente respiratórias e cardíacas.
Quem pode fazer?
Para participar do procedimento, é necessário atender critérios específicos:
-
Lesão traumática e completa
-
Tempo de lesão de até 72 horas
-
Idade entre 18 e 72 anos
O paciente em Foz
Segundo o portal Catve, em Foz do Iguaçu, o paciente escolhido foi William Kerber Carboni, ex-atleta do Suzano Vôlei. Ele sofreu um acidente automobilístico que evoluiu para tetraplegia após lesão medular na altura da vértebra C3.
De acordo com o neurocirurgião João Elias El Sarraf, o histórico esportivo de William pode contribuir positivamente na fase de reabilitação, já que o atleta possui condicionamento físico e disciplina adquiridos ao longo da carreira.
William afirma que acreditava que o acesso a esse tipo de medicação era algo distante — quase impossível. Agora, a esperança se transformou em expectativa real de melhora.
A irmã do atleta, Grasiele Kerber Breno, diz que a família vive um momento de fé e confiança: a expectativa é que o procedimento traga avanços significativos nas condições físicas de William.



