Atenção, pescadores! Saibam por que o melhor período para a piracema é de outubro a janeiro e não de novembro a fevereiro

Foto: IAP

Por Domingo Fernandez*

O período de Defeso (proibição da pesca de especies nativas) tem por objetivo proteger o período de reprodução da maioria das espécies de peixes, em especial daquelas migradores, que se deslocam entre as áreas de alimentação para as áreas de reprodução.

A migração reprodutiva está atrelada a fatores como o aumento da temperatura da água e ao início da subida dos níveis dos rios (o que facilita a dispersão de ovos e larvas para as áreas de berçários naturais, normalmente áreas alagáveis como várzeas e lagoas marginais).

Quando comparamos os meses de outubro e fevereiro, verificamos uma importância maior para outubro em termos de início do período reprodutivo (outubro), comparado com o final do período reprodutivo (fevereiro). 

O Defeso ideal seria aquele que concilia o período reprodutivo ou de piracema natural (que varia em função de aspectos naturais, principalmente temperatura e aumento do nível dos rios) com o período de proibição da pesca ou da piracema legal.

Ao proibir a pesca em outubro e liberá-la em fevereiro, estaremos protegendo o início da migração em outubro, em detrimento da abertura da pesca em fevereiro quando eventualmente alguns reprodutores mais atrasados podem ser capturados.

Eu acredito ser mais interessante em termos de preservação das espécies migradoras a proibição da pesca em outubro e sua abertura em fevereiro.

Isso também é vantajoso para a pesca, pois aproveitam um mês de relativa abundância e baixa reprodução como fevereiro.

Lembro que as espécies exóticas ao Ecossistema não são protegidas, pois são danosas ao equilíbrio por serem predadoras (caso de carnívoras como curvinas e tucunarés) ou competidoras (como o cara amazônico Geophagus próximos).

Lembro também que o dourado introduzido no Rio Iguaçu, acima das Cataratas é localmente exótico e prejudicial as espécies nativas do Iguaçu (70% delas exclusivas desse rio) e, portanto, não deve ser protegido naquela bacia.

Domingo Fernandez é médico veterinário formado na UFPR (em 1983); mestre em Ciências da Pesca pela Universidade de Nagasaki (1987); especializado em aquicultura pela Auburn University Alabama, Estados Unidos; e doutor em Zoologia pela UFPR (2000). Atualmente, presta consultoria na área de ecossistemas aquáticos para várias hidrelétricas.

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