Alguns amigos do passado

Tenho uma psicografia ocorrida com eles

Foto: Pixabay

Alguns amigos do passado

*Por Carlos Galetti

Noutro dia falei dos amigos que partem, dessa feita falo dos amigos do passado. Falo dos mortos, pois esses não reclamam, até gostam de ser lembrados.

Quem encabeçava as reuniões era o JC, João Cosenza. Nos reuníamos quase todos os domingos, quando não tínhamos motivo, comemorávamos o motivo de não ter motivo.

As reuniões eram em qualquer lugar, sem distinção, da Baixada Fluminense à Tijuca, de Vilar dos Teles à Campo Grande. Com ou sem motivo estávamos juntos, brindando à vida e o bem viver. Fazendo uma comida diferente, “molhando” a palavra, jogando conversa fora.

Convivi com pessoas muito especiais; o Xarutinho, assim chamado, pois no tempo da malandragem do Rio, frequentava os grandes Snookers do Centro da cidade. O Leonel, vigia de uma rádio da região da Tijuca.

O Ailton, coronel da reserva do Exército, o grande gozador, sempre aprontando uma sacanagem com alguém, mal necessário em todo grupo. O César Grandão, bom sujeito, mas de péssima dicção, ninguém entendia o que dizia, mas íamos fingindo:

– É isso aí César!

O Nilton, ilustre membro do Detran do Rio de Janeiro, portador de prótese peniana, que vivia mostrando os efeitos fantásticos do artefato, ainda mais depois de beber umas e outras.

Jaconias roncador, quem adivinha por quê? O Maninho, irmão do Ailton, o gozador, que só dizia:

– Tá bom! E ria, ou ria e dizia.

Quase todo final de ano viajávamos para o sul. Foz do Iguaçu era um dos destinos, mais Cascavel, Francisco Beltrão, até as praias em “Floripa”. Enfim, passeios marcantes, que geraram histórias incontáveis. Um dia conto.

Todos, desde o JC até o Maninho, foram meus queridos amigos. Aliás o Maninho ainda é, pois é o único que restou. Todos partiram para o Oriente Eterno.

Pela minha concepção religiosa, um dia estaremos juntos de novo.

Tenho uma psicografia ocorrida com eles.

Qualquer dia reparto com vocês. Por enquanto, vamos só sentindo as saudades…

*Carlos A. M. Galetti é coronel da reserva do Exército, foi comandante do 34o Batalhão de Infantaria Motorizado. Atualmente é empresário no ramo de segurança, sendo sócio proprietário do Grupo Iguasseg. 

Vivendo em Foz já há mais de 20 anos, veio do Rio de Janeiro, sua terra natal, no ano de 1999, para assumir o comando do batalhão.

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