A Sina de Genivaldo
*Por Carlos Galetti
Mais um habeas corpus de Genivaldo havia sido recusado; a final o que estaria acontecendo? Em meio a tantas provas de influência, pois já tinham julgado 417 outros anteriores, mas todos haviam sido negados. Por que seria isso? Tinha o poder de ver seus agravos serem julgados, mas seus reclamos não eram atendidos.
Rezou ao deus (minúsculo mesmo), pediu explicações, era “o Cara”, não era ele que dizia, tinha sido o Barrack Ô Brahma. Sentia-se discriminado, passara a pensar que era alvo de chacota, tinha a nítida impressão que sempre estavam rindo de sua cara, cara que já estivera estampada em tantas revistas famosas, todas ligadas a Rede Boba de televisão, que aliás de boba não tem nada, mas que está em maus lençóis, isso tá.
Voltemos ao Genivaldo, pobre inocente que apodrece em uma cela nas Repúblicas da União Curitibana, abandonado pelos seus asseclas, que nem lhe dão bom dia em coro uníssono, nas manhãs frias da terra do sul. Pobre, abandonado, pois mesmo com todo aquele dinheiro em paraísos fiscais, não pode usá-lo como gostaria, gastando com as moças de profissão antiga e enxugando todos os copos de cachaça que encontrasse pela frente.
Temos que ser gratos ao Genivaldo, a final nos legou lições excepcionais: sobre honestidade, que não se deve roubar; sobre pureza de caráter, demonstrando que pessoas podem não ter um pingo, que seja, de caráter; mas principalmente sobre confiança, que pessoas podem não ser nada confiáveis, pois não têm caráter nem honestidade para isso.
Deixe aproveitar o meu domingo, que se danem os Genivaldos da vida, pois eles encontrarão o que bem merecem. Quanto a vocês desejo que não encontrem mais Genivaldos no seu caminho.
*Carlos A. M. Galetti é coronel da reserva do Exército, foi comandante do 34o Batalhão de Infantaria Motorizado. Atualmente é empresário no ramo de segurança, sendo sócio proprietário do Grupo Iguasseg.
Vivendo em Foz já há mais de 20 anos, veio do Rio de Janeiro, sua terra natal, no ano de 1999, para assumir o comando do batalhão.
