A Confusão das Horas
*Por Carlos Galetti
Com o avanço da idade começam as confusões, dos dias, das datas, das pessoas, dos números. Inevitável, temos de conviver com isso, tal qual fosse a normalidade. A bem da verdade, até chega a ser uma normalidade, posto que acontece com quase todos.
Noutro dia estava vivendo a semana defasado de um dia, explico, era segunda e já estava na terça. Tudo isso gera confusão, ficamos inseguros, pouco confiantes.
Imagine sair de casa pensando nas coisas do dia, planejando a execução das tarefas de forma ordenada. Vamos fazendo uma, outra, mais uma, mas algo nos atormenta, será que falta alguma coisa?
Estamos na época de escrever tudo, de preferência na ordem de execução, melhor isso que ficar matutando, somente descobrindo o que esquecera quando já voltou pra casa, ao final do expediente.
Acontece mais comumente com os maduros, não gosto de falar velho. Mas tem muito novinho com cabeça de vento, esquece coisas básicas, ficando com cara de tacho. A vida é uma eterna adaptação, com o avançar dos anos mais necessária esta adaptação, para fazer resposta a degradação da cabeça.
Há os remédios que ativam a memória, uma excelente possibilidade, mas já ingerimos tantas drogas; por isso, sugiro os processos de escrever e ir ticando na oportunidade em que forem sendo executados. Quando você esquecer de fazer ou ticar, aí o bicho já pegou.
Depois de todo o dito, esclareço que este texto se deve ao fato de que noutro dia esquecera a minha idade, isso a minha idade. Quando comentei com a minha mulher ela até riu. O fato é que comecei a me questionar, depois do meu aniversário, cerca de 30 dias atrás, qual a minha idade.
Não sei de onde tirei que tinha completado 68 anos, ainda bem que não diminui a idade, estava aumentando. Até entenderia, se fosse o tempo de ver filme impróprio no cinema, onde até cheguei a falsificar a identidade do colégio, ainda bem que o crime já prescreveu.
O fato é que somente tenho (rs rs rs) 67 anos, nasci em 54 e estamos em 2021. Sabe que até minha memória melhorou?
Imagine, esquecer quantos anos tem, ficar na dúvida, parece engraçado, mas é verdade. Agora, e o cara que vive enganando a idade? Acaba acreditando ou será desmascarado, mais cedo ou mais tarde.
Tenho um amigo que, para ser mais convincente, dá alguns tons no cabelo, tipo graxa “ODD ou Nugueti”, claro preta, pois não se presta para cabelo claro.
No próximo seguimento conto de quem se trata, mas garanto que é o cabelo mais preto de Foz do Iguaçu, aliás era, já surgiram seguidores, pelo menos outros dois. Outra solução é não ter cabelo, nada de pintar nem de pentear, né fulano, ele sabe com quem estou falando…
Do que eu estava falando mesmo?
*Carlos A. M. Galetti é coronel da reserva do Exército, foi comandante do 34o Batalhão de Infantaria Motorizado. Atualmente é empresário no ramo de segurança, sendo sócio proprietário do Grupo Iguasseg.
Vivendo em Foz já há mais de 20 anos, veio do Rio de Janeiro, sua terra natal, no ano de 1999, para assumir o comando do batalhão.
