A volta do vírus (do outro)
*Por Carlos Galetti
Ao passar pelo hospital vejo maior alvoroço, helicópteros, carros de bombeiro, carros de combate do Exército, enfim, toda uma gama de forças reunidas. Confesso que a curiosidade me venceu, estacionei o carro e fui para junto daquela “muvuca”.
Coloco-me próximo a uma junta médica, homens de branco que discutem sobre vírus. Um diz que não entende como esse vírus voltou a ressurgir, ao que outro responde que todos estão latentes, podendo qualquer um voltar.
Eu que pensava que só se morria nos dias de hoje de corona; confesso que fiquei chocado, pois além de todos os óbices, ainda corríamos os riscos do passado. Acreditava que tinham reunido todos os vírus num só, mas vejo que nossa briga é com todos, individualmente.
E se resolvem se juntar e atacam em massa? Vai ser covardia, uma mortandade só, a gripe espanhola vai ser um lindo passeio no parque.
Viro para o vizinho curioso ao lado e comento que a dengue havia voltado. Sua curiosidade estava satisfeita, seu descontrole foi total, começou a gritar histericamente, chamando a atenção das demais pessoas. Apontava para mim e acusava tacitamente que eu afirmava que a dengue voltara.
Os médicos voltaram-se na minha direção, olhando inquisidoramente para uns policiais que estavam próximo, que também olharam para mim. Abaixei no meio da multidão e comecei a correr, tudo ia bem até alguém botar o pé na minha frente, vindo a me “estabacar”.
Momento seguinte já estou com várias pessoas sobre mim, os policiais a minha volta, e as algemas sendo colocadas no meu pulso. Alguém já lia os meus direitos, que era quase nenhum, enquanto já amargava o meu destino, pena de morte.
Ouvi o barulho das sirenes, pensei, as viaturas vêm me pegar para levar à delegacia. As sirenes aumentam, juntam-se ao som dos helicópteros, pessoas gritam, estou sufocando, as luzes começam a piscar.
– Aaaaaaaaaaaaaaaah!!!
Em meio aquele estardalhaço acordo, dormi com a televisão ligada, chego à conclusão que não devo encher o bucho antes de dormir, causa pesadelos, o Ministério da Saúde adverte.
Que sufoco, o coração ainda bate em descompasso. Ufa!
Essa foi por pouco.
*Carlos A. M. Galetti é coronel da reserva do Exército, foi comandante do 34o Batalhão de Infantaria Motorizado. Atualmente é empresário no ramo de segurança, sendo sócio proprietário do Grupo Iguasseg.
Vivendo em Foz já há mais de 20 anos, veio do Rio de Janeiro, sua terra natal, no ano de 1999, para assumir o comando do batalhão.









