Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança provocou forte reação política no Paraguai. Nesta segunda-feira (27), o presidente do Congresso Nacional paraguaio, senador Basilio “Bachi” Núñez, divulgou um comunicado oficial criticando as declarações feitas por Lula durante discurso na fábrica da Avibras, em Jacareí (SP).
Na sexta-feira (24), ao defender o aumento dos investimentos em defesa e o fortalecimento das Forças Armadas, Lula afirmou:
“Nós gostamos de paz. Mas um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. A Guerra do Paraguai custou três orçamentos do Brasil na época. Quando você entra em guerra, não fica perguntando se tem dinheiro ou não.”
A fala repercutiu negativamente no Paraguai, onde a Guerra da Tríplice Aliança (1864–1870) é considerada um dos episódios mais traumáticos da história país.
Tradução do comunicado do Congresso do Paraguai
COMUNICADO
As recentes declarações do presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a Guerra da Tríplice Aliança provocaram uma profunda reação no Paraguai. Não se trata de uma diferença política circunstancial nem de uma divergência sobre o presente, mas de uma memória que atravessa gerações e constitui parte essencial da identidade da nossa Nação.
Os paraguaios conhecem profundamente o significado daquela guerra e o enorme custo humano, político e social que ela representou para o nosso país. Por isso, quando esse episódio é mencionado pela mais alta autoridade de um Estado irmão, esperamos que seja tratado com o respeito e a sensibilidade que merece uma tragédia que marcou para sempre a história do Paraguai.
Defender a soberania nacional não significa apenas proteger nosso território e nossas instituições. Significa também preservar a memória daqueles que, com enormes sacrifícios, tornaram possível a continuidade da República em um dos momentos mais difíceis da nossa história. Preservar essa memória é conservar uma parte essencial da nossa identidade como Nação.
Como presidente do Congresso Nacional, reafirmo o compromisso deste Poder do Estado com a defesa da nossa memória histórica, patrimônio permanente de todos os paraguaios e expressão irrenunciável da nossa soberania. Essa posição não é dirigida contra nenhum povo irmão nem pretende reabrir feridas do passado. Pelo contrário, as relações entre Paraguai e Brasil devem continuar sendo fortalecidas com base no respeito mútuo, no diálogo franco e no reconhecimento responsável da história que compartilhamos.
Justamente porque valorizamos essa relação entre nossos países, sustentamos que a memória de cada Nação merece ser tratada com responsabilidade e respeito. O Paraguai olha para o futuro com vocação de integração e cooperação, mas sem renunciar ao respeito por sua história, por seus heróis e pelos sacrifícios sobre os quais se sustentou nossa República.
Nossa responsabilidade como dirigentes públicos vai além das polêmicas momentâneas. Consiste em preservar e fortalecer aquilo que permanece acima das circunstâncias: a memória do nosso povo, nossa identidade e nossa soberania.
Defendê-las com serenidade, firmeza e senso de Estado é um dever irrenunciável do Paraguai.
Senador Basilio “Bachi” Núñez
Presidente do Congresso Nacional do Paraguai










