Moradores de bairros cortados pela Perimetral Leste e pela BR-469 denunciaram, durante audiência pública na Câmara de Foz do Iguaçu, problemas causados pela falta de planejamento urbano nas obras viárias.
Entre as principais reclamações estão o isolamento de comunidades, ausência de passarelas, dificuldade de acesso a serviços públicos e risco diário para pedestres.
A audiência foi realizada nesta terça-feira (26) e proposta pelo vereador Soldado Fruet. O encontro reuniu representantes do DNIT, DER, Foztrans, vereadores e moradores das regiões afetadas.
“Projetaram olhando o mapa e esqueceram as pessoas”
A principal crítica feita durante o debate foi que as obras priorizaram o fluxo de caminhões e veículos, mas deixaram de lado as necessidades das comunidades que vivem ao redor da Perimetral Leste e da Avenida das Cataratas.
O vereador Sidnei Prestes resumiu o sentimento dos moradores: “Fizeram o projeto olhando o mapa, mas esqueceram as famílias e as comunidades”.
Já o diretor do Foztrans, Maxwell Lucena, admitiu falhas no planejamento. “Faltou observar as pessoas nos projetos das obras estruturantes. Ninguém pensou no pós-obra”, afirmou.
O que moradores e autoridades cobram
Durante a audiência, foram apontadas medidas consideradas urgentes para reduzir os impactos das obras:
- Construção de passarelas na BR-469;
- Reabertura ou criação de novos acessos à Perimetral Leste;
- Mais iluminação e sinalização nas vias;
- Implantação de pontos de ônibus seguros;
- Revisão do plano de mobilidade urbana;
- Adequações no projeto para integrar os bairros afetados.
Moradores afirmaram que muitos trabalhadores atravessam a BR diariamente sem segurança, enquanto comunidades inteiras ficaram isoladas após o fechamento de acessos.
DNIT e DER reconhecem necessidade de ajustes
O chefe do DNIT em Foz, Marcos Paulo Soares Costa, afirmou que alguns acessos foram fechados por segurança, mas confirmou que soluções estão sendo discutidas.
Já o engenheiro do DER, Charles Urbano Hostins Júnior, reconheceu que o projeto teve foco rodoviário e não urbano. Segundo ele, agora será necessário fazer ajustes para atender moradores que convivem diariamente com os impactos da obra.
Comunidades relatam medo e isolamento
Representantes de bairros como Três Lagoas, Jardim Alvorada, Remanso Grande e Buenos Aires relataram dificuldades para acessar postos de saúde, escolas e locais de trabalho.
A professora da Unila, Patrícia Zandonade, criticou o modelo adotado e afirmou que vias de alta velocidade não podem funcionar da mesma forma dentro do perímetro urbano.
“As passarelas não funcionam para o pedestre. Elas favorecem o carro e não as pessoas”, declarou.



